o mais difícil em fazer pesquisa na área de cibercultura é acompanhar a velocidade do surgimento de novidades. sempre digo isso e também ouço isso de gente que convive comigo e me pergunta como eu faço pra estar por dentro de tudo. na verdade eu não faço, eu tento. e acredito que não consiga saber nem a metade do que eu queria hehehe. mas, são ossos do ofício de quem trabalha com isso e tem que se controlar pra não virar um neurótico do RSS nem um prisioneiro do monitor.
bom, introdução, acredito que, condizente com o fato de algumas pessoas mal estarem sabendo o que é web 2.0 e já existirem muitos textos sobre web 3.0. mas, como muitos já devem saber, web 3.0 é, como a web 2.0, mais uma denominação para algo que já se vem tentando fazer com a web há bastante tempo, torná-la semântica. logo, web 3.0 é a tão sonhada web semântica.
hoje, no ReadWriteWeb tem um post com 11 coisas para saber sobre a web semântica. o último item traz o ponto de transição, a ponte entre a web 2.0 e a web 3.0:
11. Semantic Web will leverage the “community” to add structure and this will use some techniques from first generation Social Networking. But it is very unlikely that Semantic Web will emerge from the walled gardens of current social networking sites. The winners will know how to motivate community to provide structure and will provide the tools that make the structuring so easy that nobody knows they are doing anything so boring as structuring. That is the big lesson from Web 2.0 that will be applied in the Semantic Web.
eu, que li o post na ordem início/fim e não hipertextualmente, lendo o item 4 pra depois ler o 2, o 8 e o 9 hehehe, ao ler o último item imediatamente me lembrei do primeiro:
1. You don’t need to apologize for calling it Web 3.0. Of course the Web does not upgrade in one go like a company switching to Vista. But there is a definite phase transition from current technologies. My personal Web 3.0 definition is “the combination of Web 2.0 mass collaboration with structured databases”.
Berners-Lee, James Hendler e Ora Lassila, quando publicaram o artigo propondo a web semântica talvez nem imaginassem o que viria logo em seguida, com a questão da folksonomia. será? acho brabo hehehe. o fato é que depois que Berners-Lee entregou sua filha ao mundo, nada mais teve controle, no sentido de criação e adaptação. a apropriação social deu forma a instrumentos de publicação e logo a web se tornou web 2.0, já trazendo os indícios de uma web 3.0. enquanto os caras trabalhavam criando padrões para a publicação das páginas, a folksonomia surgiu através de ferramentas que foram disponibilizadas aos internautas e permitiram que além de inserir informação na web, eles passassem a gerenciá-la.
ao contrário de sistemas operacionais como o ruindows vista, que são desenvolvidos a portas fechadas e saem cheios de bugs que não podem ser consertados pelo usuário, a folksonomia como gerenciamento de informação é instantânea (alguns autores colocam como característica da prática o feedback imediato- Mathes, 2004; Udell, 2004; Quintarelli, 2005). essa tag não é boa? não é tão utilizada quanto você pensava? as pessoas não vão encontrar a informações através dessa tag? simples, troca. qualquer usuário está apto a modificar as etiquetas e assim, ao invés de um sistema pronto, estático, cujas alterações só podem ser feitas por programadores, sistemas folksonômicos se modificam instantaneamente ao surgimento das necessidades dos usuários.
não quero arruinar com os projetos do W3C, muito menos dizer que são inúteis, muito pelo contrário. a padronização na Rede é sim necessária, por mais descentralizado que o ambiente seja, mas o uso de formas padronizadas facilita o acesso, com certeza. o que me anima com a folksonomia é a apropriação social que causa a histeria de profissionais da informação que se escandalizam com a prática desse vocabulário descontrolado e tentam instaurar mecanismos de ordenação que não fazem o menor sentido num processo que pressupõe a liberdade de criação (alguns autores propõem a inclusão de tesauros, controle de tags e outras práticas que limitariam a criação de tags pelos usuários).
acho que é preciso amadurecer a folksonomia, incorporá-la em mecanismos de busca e em outras ferramentas e observar, atentamente, como os internautas vão se comportar com a possibilidade de estruturar a informação. quanto à web 3.0, me parece que o caminho é esse e que não estamos tão longe de um espaço virtual onde máquinas e seres humanos realmente interajam em torno dos significados. no momento em que se percebe a web como um espaço coletivo e não como um mar de páginas para serem meramente navegáveis e clicáveis é preciso também aceitar que não adiante fechar as portas, as janelas e baixar as cortinas pra que ninguém saiba o que está por trás de um sistema. de um jeito ou de outro o esquema vai ser burlado ou então perder a freguesia. a web 2.0 já vem com essa idéia de crença na inteligência coletiva e na utilização dos usuários como co-desenvolvedores. felizmente a colaboração tomou um caminho sem volta, começando na web 2.0 e sendo fundamental para a concretização da web 3.0, 4.0, 5.0….